terça-feira, 17 de março de 2020

Ao meu primeiro amor do cursinho: uma carta

Querido Diogo,
acho que vou começar toda carta dizendo que acho estranho começar uma carta chamando alguém de querido. Eu não costumo usar apelidos carinhosos com as pessoas, já que raramente chamo as pessoas pelo apelido, por mais que as pessoas na maioria das vezes se refiram a mim pelo meu apelido, mas isso não vem ao caso. Deve ser estranho receber uma carta desse tamanho. No momento, eu tenho tantas coisas a dizer, mas não sei por onde começar. É meio óbvio dizer que deve ser pelo início, mas eu estou com medo de assustar você que nem eu assustei aquela vez e eu não quero estragar nossa amizade… Se é que você define isso como amizade. Enfim, espero que esteja preparada para ouvir um turbilhão de confissões sobre meus sentimentos mais íntimos.

segunda-feira, 9 de março de 2020

Sobre decisões, saudades e incertezas

No final das contas, eu cancelei minha matrícula no curso de Escrita Criativa e resolvi voltar para o cursinho. Confesso que meus três dias como caloura na PUCRS foram a realização de um sonho e por mais que meus pais ainda não tenham digerido muito bem minha decisão, eles a respeitaram e até me incentivaram a dar meu melhor esse ano para concretizar minhas metas. Vou sentir falta dos desafios das aulas de Conto? Mas é claro. Vou sentir falta do professor de Crítica Cultural e suas propostas que se encontram fora da minha zona de conforto? Com certeza. Vou sentir falta de soltar a imaginação no Laboratório de Criatividade toda sexta-feira? Disso não há dúvida. Por mais que meu lugar em Escrita Criativa não esteja mais garantido, pretendo tentar a sorte em Ciência da Computação. Às vezes eu estranho o fato de que meu ser oscila entre humanas e exatas e talvez eu devesse tomar uma decisão em relação a qual rumo tomar, mas não há como negar que linguagens é uma das áreas que mais me atrai e eu sempre gostei bastante, além de me dar muito bem com matemática e por mais que eu tenha opiniões negativas em relação à trigonometria, isso não inferioriza meus sentimentos pelos números. Agora são 16:25 e hoje eu já tenho a primeira aula do cursinho. Não sei como vou proceder esse ano em uma turma que não conheço boa parte do pessoal, mas espero que tudo dê certo, assim como espero que você esteja tendo uma boa semana.

sexta-feira, 6 de março de 2020

É aquele ditado: "não sei se eu termino o semestre ou volto para o cursinho"

Às vezes eu tenho a impressão de que quando tudo está bem demais, algo de ruim vai acontecer para me deixar para baixo de novo. Se eu não tivesse baixa tolerância à frustração, talvez eu lidasse melhor com os altos e baixos da vida. O lista dos aprovados da 2ª chamada do ProUni da PUCRS saiu hoje e meu nome não está ali. Eu estava quase certa de que conseguiria a bolsa e o resultado foi um balde de água fria nas minhas expectativas. Entendo que não somos capazes de ter tudo o que queremos, mas o fato de eu não ter parado para pensar em como seria minha vida se eu não passasse no ProUni faz parecer com que a dor seja pior. Falei sobre isso com meu pai e eu perguntei se ele ficaria brabo comigo caso eu resolvesse cancelar minha matrícula e bom, a resposta é meio óbvia, mas infelizmente não posso cancelá-la após o início das aulas, então propus minha segunda opção: trancar o curso. É minha primeira semana de aula e eu tenho plena consciência de que meu pai concluiu de que a filha dele enlouqueceu de vez. Não vou negar que Escrita Criativa é um dos cursos dos meus sonhos, mas eu sempre deixei bem claro aos meus pais que eu não queria que eles pagassem a minha faculdade e que cobrissem no mínimo o custo do transporte. Admito: eu não gosto de depender dos meus pais, ainda mais estando prestes a fazer 20 anos, idade em que jurei que seria o auge da minha independência, sendo que o mínimo de independência que possuo até agora é o fato de que ando para cima e para baixo de ônibus (com o dinheiro dos meus pais). Por outro lado, estou pensando seriamente em voltar para o cursinho. As inscrições serão neste sábado e eu pretendo me inscrever. Quem sabe meu futuro seja cursando Ciência da Computação na UFRGS ao invés de Escrita Criativa na PUCRS? Já ouvi várias vezes que se amamos algo de verdade, devemos deixá-lo ir e talvez seja isso que significa o amor pelo que fazemos: ter que ir quando necessário, e mesmo que a gente queira ficar, isso não significa que não voltaremos um dia. Espero chegar a uma conclusão em relação aos fatos citados anteriormente, assim como espero que você esteja tendo um bom final de semana.

segunda-feira, 2 de março de 2020

Sobre uma colcha florida lilás, Legião Urbana e clichês

Estávamos em silêncio por mais tempo que eu poderia contar, tudo devido àquela conversa. Eu havia acabado de virar de frente para você do lado esquerdo da cama, mas você não ouviu o som do farfalhar dos tecidos contra a fronha, já que estava usando fones de ouvido e permanecia deitado encarando a parede do lado direito. Depois de usufruir de boa parte do meu estoque de coragem, eu cutuquei seu ombro coberto pela colcha florida lilás. Você resmungou e eu disse que queria ver seu rosto; não demorou para que você se virasse e me lançasse um sorrisinho de lábios pressionados. Eu conhecia aquele sorriso. Você puxou a colcha sobre a sua cabeça e se enfiou para baixo dela, e eu, que não queria ficar de fora da brincadeira, fui atrás. E lá estávamos nós, mais uma vez em silêncio, em baixo da colcha florida lilás, sendo iluminados pelo visor do seu celular. Você me entregou um dos fones e eu reconheci a voz do lendário Russo em Pais e Filhos. Pouco antes da música acabar, você pesquisou mais uma música no YouTube e logo ouvi os acordes iniciais de Tempo Perdido. Cantamos a sua música num tom baixinho, como crianças que declaram seus segredos mais secreto aos seus melhores amigos, e quando chegou naquele bendito trecho, eu sussurrei só para você ouvir enquanto segurava seu rosto com ambas as mãos, cantarolando: "a tempestade que chega é da cor dos teus olhos castanhos". Senti sua mão sobre a minha e sorri, mas o que me fez expressar aquela bendita bobeira na parábola da felicidade foi quando você beijou minha testa. Depois, você botou um cover de Girassóis de Van Gogh para tocar e eu preciso concordar que você realmente tem uma cara de quem vai foder minha vida. Não lembro se foi antes ou depois que eu comecei a chorar, mas eu chorei e, para abusar do clichê, você tentou limpar minhas lágrimas ao som de Queen, mas eu não deixei e murmurei um: "merda" porque não gosto de chorar na sua frente. Eu sei que você trocou Love Of My Life por Don't Stop Me Now só para descontrair, isso até me questionar se eu não queria botar alguma música. Eu pensei nela logo de cara e em questão de segundos estávamos ouvindo This Side Of Paradise do Coyote Theory. Virei o celular na sua direção para que você pudesse ler as legendas. Foi tão irônico ouvir: "our fingers dancing when they met" e sentir sua mão na minha, mas o melhor de tudo não foi isso. Eu achava isso clichê até ter seus lábios junto aos meus enquanto ouvíamos ele cantar: "I'll be yours and you'll be mine", mas sabe o que foi mais clichê nisso tudo? O fato de que eu sorri enquanto nos beijávamos. Esse é o pior clichê que eu poderia cometer namorando você e olha que nem o fato de termos escovado os dentes juntos é algo tão digno de primeiro lugar quanto isso! Eu já disse que tudo que envolve nós é clichê, e você sabe muito bem que eu odeio clichês… Bom, exceto os de romance.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Ao meu primeiro namorado: uma carta.

Querido Deivyd,
é a segunda vez que eu digo isso em uma carta, mas acho que eu nunca chamei você de querido e isso me faz lembrar automaticamente o fato de que você disse que é fofo quando eu te chamo de amor, mesmo que isso não venha ao caso (pelo menos, não nessa parte da carta). Você mandou a carta que você estava fazendo para mim e eu finalmente matei minha curiosidade ao lê-la. Acho fofo ver você expressando seus sentimentos, seja de modo verbal ou não-verbal, porque eu não sou o tipo de pessoa que transparece com frequência o que sente e acho que você já reparou nisso. 
Sabe, Deivyd, acho que vou começar todas essas cartas do mesmo jeito: começo dizendo algo aleatório, depois mudo de assunto, digo a história de como nos conhecemos, narro os nossos melhores acontecimentos e, por fim, digo o que senti (e ainda sinto) por você. É uma boa linha de raciocínio a ser seguido, então… Vamos lá?