Em 2018, eu havia rascunhado uma postagem aqui no blog com o seguinte título: "eu não faço a menor ideia do que eu tô fazendo com a minha vida", devidamente inspirado (levemente puxado para o que as pessoas chamariam de "plágio" por eu não ter tido criatividade o suficiente para criar um título original) em Eu não faço a menor ideia do que eu tô fazendo com a minha vida, um filme que eu se quer assisti, mas pretendo só porque tem a Clarice Falcão como personagem principal. Basicamente, a postagem trata-se de uma pequena história, uma espécie de conto que eu nunca terminei. Olhando para esse rascunho agora, dois anos depois, sinto que eu queria refletir minha confusão interior naquelas palavras. Afinal, 2018 foi um ano confuso: foi meu último ano do ensino médio, foi o ano em que eu fiz o ENEM para valer, foi o ano em que comecei meu tratamento psiquiátrico e foi o ano em que tentei fazer aquilo. Eu não gosto de falar sobre aquilo porque eu sempre acabo chorando, por mais que seja necessário recapitular os acontecimentos do passado às vezes, mas a resposta é sim, eu tentei fazer aquilo; sim, eu tentei suicídio; e sim, às vezes eu ainda penso em fazer isso de novo. Nunca pensei que eu, tendo um corpinho tão pequeno e magricelo, carregasse uma dor tão grande e quando eu penso que foram pequenas coisas que fizeram com que esse tsunami de emoções colidisse contra mim, eu automaticamente me julgo alguém que não tem motivos o suficiente para ter depressão. O problema é que eu aprendi que a depressão não escolhe seu hospedeiro: depressão não tem cor, depressão não tem idade, depressão não tem classe e, aos poucos, as pessoas digerem que depressão é uma doença. Meus pais não sabiam lidar com o fato de eu ter depressão. Às vezes eu paro para pensar que até hoje eles não sabem lidar muito bem com isso, já que somente minha avó materna havia apresentado um caso de depressão antes de mim. Acho que posso dizer que eles só levaram isso a sério quando houve a possibilidade de internação. Minha mãe chorou e meu pai a acudiu enquanto eu me questionava o porquê de insistir em permanecer aqui. Eu escrevia bastante porque constantemente me sentia mal, tanto que há relatos em documentos salvos tanto no computador quanto no bloco de notas e aplicativos de escrita no meu antigo celular. Comecei a escrever minha carta em 2018 e eu nunca a terminei porque sabia que quando a terminasse, eu não aguentaria mais. Nela, eu pedia desculpas às pessoas próximas, agradecia pelos ensinamentos, pelas boas memórias, pelos bons sentimentos e declarava minhas últimas juras, sejam elas de amor ou não. Eu pedia desculpa à minha prima, na qual é muito apegada a mim, por não ter sido forte o suficiente para vê-la crescer; eu dizia à minha vó que eu finalmente veria meu vô depois de tanto tempo; eu dizia ao meu pai o quão suas palavras e inúmeros tapas ao longo da vida me machucaram; e tudo aquilo parecia tão normal para mim. Era normal acordar não querendo ter acordado; era normal passar o dia inteiro sem comer simplesmente porque eu não conseguia sair da cama; era normal pensar que a morte seria minha salvação desse inferno que era a vida. Eu me deixei abalar inúmeras vezes: parei de tomar os remédios em um ato de autossabotagem porque me sentia doente ingerindo aquelas pílulas diariamente, já planejei aquilo mais vezes do que posso contar e confesso que tenha recaídas de vez em quando, mas, felizmente, de acordo com Edna Mode, a personagem mais icônica de Os Incríveis: "quem vive de passado é museu, o futuro a gente faz agora". Desde que ultrapassei a marca dos 14 anos, eu passei a viver no passado e eu não conseguia me imaginar futuramente, tanto que há algumas postagens aqui no Indie em que falo sobre meu medo de ingressar no ensino médio e bom, no final das contas, eu acabei sobrevivendo a essa fase da vida e agora estou prestes a dar meu primeiro passo no curso de Escrita Criativa em março de 2020. É estranho pensar que, dentro de dois anos (que parece ser um espaço de tempo tão pequeno), o quão as coisas mudaram: terminei o ensino médio, ingressei no ensino superior, comecei a namorar (algo que eu nunca pensei que fosse acontecer, pelo menos, não nessa idade), tive mais uma oportunidade de dar vida aos mais diversos personagens nos palcos e ainda voltei a dar meu ar da graça na internet, seja reclamando do meu namorado no Twitter ou falando o que penso aqui no blog. Sinceramente, às vezes tenho a impressão de que passei do fundo do poço para o auge da felicidade rápido demais. Sei que esse ápice não vai durar para sempre, mas por enquanto estou aproveitando o máximo que posso e espero que você, que talvez esteja passando por algum momento difícil agora, encontre a luz que precisa para iluminar o seu caminho assim como eu encontrei.
segunda-feira, 13 de janeiro de 2020
quarta-feira, 8 de janeiro de 2020
Uma espécie de crise emocional relacionada ao amor
Às vezes eu acho que minhas amigas me acham feliz demais. Acho irônico eu pensar que elas pensam esse tipo de coisa justamente de alguém que toma antidepressivos há quase dois anos. Elas dizem que eu sou iludida; já eu, afirmo que sou romântica. Já fiz essa pergunta aos meus pais e obtive respostas diferentes: meu pai disse que sou iludida e minha mãe disse que sou romântica. Entendo que as mulheres tenham uma visão mais romantizada em relação aos sentimentos, mas dói pensar que sou tachada de iludida. Dentre meu grupo de amigas, sou a única de acredita no amor e, ironicamente, a única que namora. Isso tem alguma coisa a ver? Precisa namorar para acreditar no amor? Acho que não porque eu acreditava no amor antes mesmo de namorar. Desde que eu me lembre, eu sempre acreditei no amor. Desde pequena eu consumo uma gama enorme de conteúdos românticos que nutriram cada vez mais minha crença nesse sentimento. Minha amiga me disse uma vez que nós só ficamos com as pessoas por comodidade; depois disso, eu silenciei o nosso grupo no WhatsApp. Isso fez com que eu pensasse se eu estou com ele por comodidade. Sinto que aquelas palavras foram o gatilho inicial para mais uma visita da minha boa e velha amiga: a crise. É meio louco pensar o quão influente são as palavras daqueles que gostamos, seja para o bem ou para o mal. Agora eu não consigo parar de pensar nisso. Eu não quero ficar com ele porque é cômodo, eu quero ficar com ele porque eu quero ficar com ele, porque eu gosto dele, porque ele gosta de mim, porque nós gostamos um do outro. E aí veio aquela maldita dúvida: "será que ele gosta mesmo de mim?"... E está feita mais uma safra da plantação de paranoias. Depois da nossa primeira briga, a minha insegurança só aumentou, mas eu não gosto de deixar isso transparecer. Ele disse que não tinha como prever que aquilo aconteceria, mas, ao meu ver, era algo que poderia ser impedido. Eu não deveria ter feito aquilo e ele também não. No final, concordo que nós dois erramos e acabamos nos reconciliando, mas eu tenho medo de que algo do tipo aconteça de novo. Eu não quero privá-lo de fazer o que ele quer por ciúmes ou mera insegurança. Gosto de pensar que o amor não é algo na qual se prender, mas, sim, se libertar, então por que impedir alguém que você ama de fazer o que ele quer em nome do "amor"? Isso pode ser chamado de amor? O que é amor? No teatro, tivemos que recitar um soneto de Luís de Camões que dizia: "amor é fogo que arde sem se ver, é ferido que dói, e não se sente; é um contentamento descontente; é dor que desatina sem doer". Demorei um tempo para relembrar quais das inúmeras figuras de linguagem está presente no poema. Eu pensei ser uma antítese, mas mais tarde descobri se tratar de um paradoxo. Paradoxo... O que é um paradoxo? De acordo com o famigerado Google, significa: "pensamento, proposição ou argumento que contraria os princípios básicos e gerais que costumam orientar o pensamento humano, ou desafia a opinião consabida, a crença ordinária e compartilhada pela maioria; aparente falta de nexo ou de lógica; contradição". Eu não gosto de duvidar do que estou sentindo. Faz com que eu duvide de tudo; faz com que eu me sinta insegura em relação a tudo; faz com que eu queira me isolar no intuito de procurar razão onde se quer existe certeza. Afinal: antítese ou paradoxo?
Agora é sério: vamos falar sobre vegetarianismo e veganismo
Eu parei para pensar aqui: "existiam várias coisas que eu não sabia antes de virar vegetariana que eu só descobri depois de ter virado vegetariano", sem contar o fato de eu já estou cansada de ouvir a frase: "vegetariano e vegano é a mesma coisa" e eu sempre respondo a mesma coisa. Pois bem, meus caros, acomodem-se em seus acentos, pois hoje iremos viajar pelo incrível mundo do vegetarianismo e do veganismo.
quinta-feira, 2 de janeiro de 2020
Ao meu primeiro amor do ensino médio: uma carta
Querida Mariana,
é estranho começar uma carta com a palavra “querida” porque (1) essa é a segunda carta que eu escrevo em toda a minha vida e (2) eu ainda não sei ao certo o que dizer, mas vamos começar do início.
Nos conhecemos na escola quando eu estava no 1º ano. Minha vida se resumia a estudos, amigos e, claro, a bendita procrastinação.
Preciso confessar que eu me sentia meio sozinha antes de te conhecer. Mesmo que eu tivesse a Bárbara e a Marluce como amigas, eu me sentia sozinha, tanto que 2016 foi o ano em que eu passei a desenvolver a maldita depressão. Além do mais, não sei se você lembra, mas você fez um desenho meu com a minha camiseta de alien e meu colar de pedra com a frase: “você é mais forte do que pensa” e me mandou no Facebook. Eu tenho a foto salva no computador até hoje. Acho que você não sabe, mas uma colega minha com quem eu havia feito amizade mudou para o turno da manhã poucos meses depois de terem voltado às aulas e isso me deixou meio jururu, até que eu conheci você.
Sendo sincera, eu não lembro ao certo o que levou a nos relacionar, mas não posso negar que eu ficava de olho em ti na escola.
quinta-feira, 26 de dezembro de 2019
Os Melhores do Ano de acordo com a Revista Eu Mesma, Kathhi Steam
Depois de ter sobrevivido a esse natal, acho que posso sobreviver aos próximos eventos que me reservam no que resta de 2019 e com a chegada de 2020. Agora, faltando 5 dias para acabar o ano, eu pensei em fazer uma pequena retrospectiva de 2019, então por que não fazer uma postagem com aquele velho clichê denominado "Melhores do Ano", não é mesmo? Mas preciso confessar a vocês que a ideia de fazer esse tipo de postagem veio principalmente depois da festa dos Melhores do Ano em que eu fui de uma amiga do teatro, então os créditos à essa postagem vão para ela.
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